Mostrando postagens com marcador Roma Antiga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roma Antiga. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Influencias da República Romana no Brasil



                Muitas ideologias e sistemas surgiram em Roma e inspiraram todo o mundo desde então. A política brasileira de um modo geral se inspirou em várias práticas romanas, como por exemplo o senado, o cônsul, o magistrado, os comícios e o plebiscito. Mas uma das ideologias romanas mais representativas que podemos citar é a República, que surgiu no ano VI a.C. O termo República deriva do latim “res publica” e sua tradução se daria por “assunto público”. Isso é querer dizer que o conceito de República existe para proteger uma sociedade a fim de encontrar o bem comum para sua população, existindo em oposição à monarquia, ou seja, dessa forma não se faz possível obter privilégios e espera-se maior responsabilidade diante dos direitos e da igualdade entre seus cidadãos. Dessa forma o estado e o governo passam a pertencer ao povo e não mais a uma parcela mínima e privilegiada da população, o governo é feito pelo povo. É esse conceito de República que o Brasil adere nos dias de hoje, teoricamente.
                A democracia é baseada na eleição a partir da maioria dos votos e a república é baseada no valor da atribuição do poder do povo. Na República Romana, para se exercer a República de fato, a virtude se fazia imprescindível, um valor necessário para manutenção de um estado que se importava com seu povo. Essa filosofia pode ser vista também na religião romana que era embasada na fidelidade e na solidariedade entre suas partes, exercendo um papel social extremamente importante entre seus membros e suas comunidades¹. Dessa forma, o estado estava sempre atento às questões do seu povo pois em sua base política e filosófica, Roma era governada pela população, como foi explicitado por Políbio “cabe aqui que os tribunos são sempre obrigados a agir segundo a vontade do povo e a levar em consideração os seus desejos. Logo, por todas essas razões, o Senado teme as massas e deve dispensar a devida atenção à opinião pública”². O estado brasileiro tem essa premissa como base ideológica governamental, e assim a honestidade para com o povo faz parte da sua lei fundamental e deve ser absoluta para manutenção de um estado republicano e democrático.
                É preciso enfatizar que a honestidade política para o povo romano era de extrema importância. O espaço público deveria ser explorado para o seu povo e caso o contrário, se houvesse a desonestidade para se obter benefícios próprios ou de terceiros com a corrupção dentro espaço público, seria considerado um crime inafiançável. Caso essa traição para com seu povo ocorresse, a pena dada pelos romanos era a de que seus políticos corruptos deveriam ser atirados do alto de uma rocha, a Tarpeia, tendo uma morte bastante violenta ao ir de encontro as pedras pontiagudas³. Já no Brasil essa seriedade perante aos atentados contra sua população não existe na prática, já que é muito comum presenciarmos políticos corruptos que não receberam uma devida punição. Esse compromisso para com a integridade e a honestidade política deveria ser também uma inspiração, bem como é a República para o estado brasileiro.
                                                        
                                                                                      Pedra da Tarpeia


Referências:
¹ - Bustamante, Regina. Práticas culturais no Império Romano: Entre a unidade e a diversidade. LHIA e PPGHC / UFRJ
² - POLÍBIO. História VI, 2-4; 11-18, Trad. M. da G. Kury. Brasília: Ed. UnB, 1985, p.325-327; 332-338
³ - D’Amaral, Marcio Tavares. República, 06/2017. https://oglobo.globo.com/cultura/republica-21431479

Aspectos da Cultura, Sociedade e Política Romana




            Roma Antiga era fortemente marcada por sua glorificação, pois possuía o papel de direcionar a paz, a moralidade e a uma identidade de civilização na qual uma construção material e simbólica era transmitida para os povos conquistados, onde a figura do Imperador guiava a expansão da civilização por motivo de ser escolhido pelos deuses para realizar tal missão. Sendo o maior e mais poderoso império do mundo antigo, Roma se expandiu por 12 séculos, que seguiram através da monarquia, em seguida pela república e após o fim dessa surgiu o Império Romano. Para se compreender melhor a sociedade romana se faz necessário compreender que devida à sua expansão, ela foi se transformando e construindo seu espaço recebendo a influenciada também das culturas dos povos conquistados. Roma fez história através dos seus exemplos com o modo de governo, aspecto jurídico e político, pela engenharia e arquitetura esplendorosa que deram origem à arquitetura clássica, as artes fortemente influenciadas pela Grécia, a língua, a literatura, a religião e enfim, entendia e disseminava seu papel civilizador pela Europa. O latim, a língua romana, foi espalhada por todos os cantos do mundo, dando origem às línguas portuguesa, inglesa, italiana, francesa e espanhola.
            O seu governo foi marcado pela monarquia que foi derivada da evolução da autocracia, e a partir daí surge a aristocracia, em seguida surge a oligarquia e com o poder do povo temos então a democracia e a oclocracia, isso é dizer que o povo também tinha um papel importante na política romana. Todas essas formas de governo eram mescladas, pois não é possível dizer que uma delas governava sozinha de forma absoluta já que “para um cidadão romano, era impossível dizer com certeza se o sistema em seu conjunto era aristocrático, democrático ou monárquico. E tal sentimento era natural. Com efeito, a quem fixar a atenção no poder dos cônsules, a constituição romana parecerá totalmente monárquica, a quem fixa-la no Senado, ela mais parecerá aristocrática, e a que, a fixar no poder do povo, ela parecerá claramente democrática”¹. Os objetivos eram mais fáceis de serem alcançados pois assim como o Senado, os Cônsules, os Militares e o Povo obtinham voz para reforçar seus objetivos, em momentos de crises ou ameaças, todos se encontravam à disposição para cooperar mutualmente para sanar a dificuldade em questão, criando uma grandiosa força governamental. Para entendermos a importância do povo para Roma, podemos citar a construções de espaços para a sociabilidade pública como por exemplo os banhos públicos, os teatros, circos, praças e enormes arenas como por exemplo o Coliseu para dessa forma manter o povo satisfeito e conquistar votos.


                                                                                 Banho Público em Roma Antiga

            Uma comparação a ser feita com esse aspecto político retratado é o aspecto religioso onde a “paz deorum” (paz com os deuses) se fazia necessária para a segurança do Estado, visto que a religião romana era uma religião social, que partia do cidadão para a comunidade. Novamente toda a sociedade se unia para o bem comum, assim como era a sua base política. A religião “concernia ao indivíduo somente enquanto membro de uma comunidade. Todo ato comunitário comportava um aspecto religioso; todo ato religioso possuía um aspecto comunitário. Assim, o culto público implicava necessariamente aspectos políticos. Por isso, se dizia que a religião romana era uma religião política”². A família também era uma instituição sagrada e o poder sobre a mesma era direcionado para o “pater famílias”, figura marcada pela figura paterna que tinha total poder da vida e da morte de todos os seus membros.

            Para resgatar a unidade romana que estava ameaçada após as guerras civis que puseram fim à República Romana passou-se a incentivar uma unidade de identidade coletiva entre os territórios, procurando-se obter cooperação, lealdade e confiança entre as partes. O Império Romano demarcava a presença da sua civilidade e objetivava expandir a marca da sua civilização, implementando em seus territórios conquistados suas marcas com os símbolos e representações, estradas, cidades e espaços urbanos, vilas, cultura e língua. Dessa forma, era despertado o desejo e admiração das populações nativas pela melhoria de vida diante das suas comodidades. No que foi sucedido como o expansionismo europeu, a “romanização” ou “civilização” era considerada de extrema importância para permanência do poder romano e também para que os “não civilizados” pudessem ter a oportunidade alcançarem o desenvolvimento. A estratégia de manter grupos unidos pela cultura romana, que passavam a se identificar como iguais, fazia com que as culturas que se posicionassem em oposição à essas fossem consideradas “bárbaras”. Era disseminado o estilo de vida romano como exemplo de civilidade a ser seguido para se alcançar a cidadania. Quando uma cidade passava a aderir os costumes romanos e sendo identificada como tal, ou seja, quando atingia a “romanização”, recebia então como recompensa uma espécie de promoção à “colônia honorária”, que passava então a renunciar seus direitos e a aderir o direito romano. É importante perceber que os aspectos ainda hoje entendido pelo protagonismo europeu é fortemente marcado pelas influências romanas, em uma espécie de sucessão. A “romanização” pode ser associada hoje com o eurocentrismo, que também procurou disseminar sua cultura como um padrão fixo para o desenvolvimento.

Referências:
¹ - POLÍBIO. História VI, 2-4; 11-18, Trad. M. da G. Kury. Brasília: Ed. UnB, 1985, p.325-327; 332-338
² - Bustamante, Regina. Práticas culturais no Império Romano: Entre a unidade e a diversidade. LHIA e PPGHC / UFRJ
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Roma_Antiga#Sociedade
- http://minasbanheiras.com.br/os-banhos-publicos-na-roma-antiga/

terça-feira, 27 de junho de 2017

HERANÇA MATERIAL DE ROMA

                 Podemos considerar como herança material romana as suas construções arquitetônicas ao longo dos séculos e suas inovações técnicas como, o cimento, o concreto armado, o ladrilho e após o incêndio de Roma, o uso do mármore para perpetuar suas construções. Com a “romanização” – período em que o império romano expandiu seu território e dominou os espaços conquistados através da extensão do seu ideal de cultura – Roma construía materialmente cidades para levar os cidadãos, através da ordem visual, a obedecer ao regime imperial (BUSTAMANTE: 4) Assim, a arquitetura romana era vista não somente dentro das cidades clássicas, mas também nas comunidades romanas e colônias honorárias sob domínio do império.
            Um exemplo de construções arquitetônicas e de estilo de cidades romanas é Pompeia, que foi destruída durante uma grande erupção do vulcão Vesúvio.  O fórum, os banhos, muitas casas, e algumas vilas nos arredores, como a Vila dos Mistérios, permaneceram incrivelmente bem preservados. Pompeia era um lugar movimentado, e evidências demonstram diversos detalhes do cotidiano da cidade.



Nas Figuras [1] e [2] vemos o exemplo da Basílica de Pompeia, grande marco da arquitetura clássica de Roma. Analisando a planta da Basílica (Figura 1) percebemos que o monumento só possuía uma única entrada, além das escadas que levavam o cidadão até a linha de quatro colunas que sustentavam o teto. O salão principal do edifício consiste em um longo corredor cercado por colunas. As colunas representadas na Figura 2 são as colunas compósitas, esse elemento que pode ser encontrado na entrada do Palácio Tiradentes, onde funciona atualmente a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Figura [3]). Essas colunas são inspiradas pelo estilo jônico que também pode ser observado na segunda linha da Figura 2. O estilo compósito é uma das maiores caraterísticas romanas e é vista em diversos monumentos ao redor do mundo.
    Nas figuras [4] e [5] podemos observar o Arco de Septímio Severo que foi construído em 203 d.C para glorificar as vitórias militares do imperador Septímio Severo e fica localizado no Fórum Romano. A sua construção foi feita em mármore e consta de um arco principal enquadrado por arcos menores e sua frente decorada por colunas compósitas. Na figura 5 as esculturas mostram cenas das batalhas, prisioneiros e o imperador comandando sua tropa durante a campanha em Parthia (CARTWRIGHT. 2013: 1). O monumento foi utilizado durante a Idade Média como forte, torres foram adicionadas e a estrutura foi incorporada aos prédios dos arredores. Assim, a estrutura original do prédio sofreu alterações. Os Arcos do Triunfo se tornaram referência arquitetônica para diversos projetos mesmo após a extinção do império romano e tinham o mesmo objetivo ou aproximação, celebrar vitórias e conquistas políticas-militares através da construção material. Observemos alguns exemplos.




Arco do Triunfo (Figura [6]) em Paris foi construído entre 1806 e 1836 a mando de Napoleão Bonaparte em comemoração às suas vitórias militares. O Porte Saint-Denis (Figura [7]), 1672, Paris, foi construído para comemorar as vitórias de Luís XIV da França. Já o Arco do Triunfo de Pyongyang (1982) (Figura [8]), o maior e segundo mais alto arco do mundo, tinha como objetivo ser substancialmente maior que o Arco do Triunfo de Paris e foi erigido no mesmo local onde, em 14 de outubro de 1945, Kim Il Sung realizou seu primeiro discurso público ao povo da Coreia do Norte.
      Os romanos também construíam arcos no interior de seus monumentos e nesses casos os arcos eram uma estrutura arquitetônica de forma curva que permitia vencer o espaço entre dois pontos, em geral colunas ou pilares e podia repartir os empuxos do muro, da abóbada e da cúpula. Essa técnica que permitia empregar menor número de colunas e pilares, ampliando assim o espaço interior, ficou patente na imensa cúpula do Panteão romano (Figura [9]) (Mellilo, Patricia, disponível em <http://www.patriciamellilo.com.br/arquitetura-historia.php> acesso em. 27 de junho de 2017).
Na figura 8 além de observarmos as colunas sustentando a cúpula, analisamos que entre elas existem arcos que são responsáveis por repartir os empuxos. Na direção “final” da imagem existe uma passagem para um possível outro espaço do Panteão que é interligado por um arco.
       Essa técnica foi reproduzida por várias civilizações ao longo dos séculos. A mesquita de Córdoba, localizada em Córdoba, Espanha, iniciada no séc. VIII, é uma construção islâmica que possui aspectos romanos.
       As figuras [10] e [11] representam o interior da mesquita de Córdoba, e avaliando as imagens podemos ver a semelhança com as construções romanas, através das colunas, capitéis romanos e na utilização de arcos como sustentação e passagem entre locais do monumento.  

         Em suma, mesmo após sua decadência, Roma exerceu influência no que tange a arquitetura, servindo de inspiração e exemplo para sociedades em diversos momentos da história. O patrimônio material que sobreviveu ao tempo, é de de grande importância para a compreensão da estrutura cultural romana pois, através da análise dessas estruturas, podemos afirmar que a necessidade da construção material das cidades, tornou os romanos referência em introdução de técnicas e utilização de novos materiais, que utilizamos até hoje, na edificação de  patrimônios. Por fim, Roma nos deixou uma herança material extensa e sua influência pode ser vista em diversos lugares do mundo, cumprindo o seu designo de resistir e perpetuar a cultura de um dos maiores impérios da antiguidade.

1 – Disponível em <http://www.vitruvius.be/pompei.htm> Acesso em. 26 de junho de 2017.
2 – Disponível em <http://www.vitruvius.be/pompei.htm> Acesso em. 26 de junho de 2017.
3 - Disponível em <https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/09/04/com-reforma-de-r-18-mi-predio-da-alerj-dara-lugar-ao-museu-da-democracia.htm> Acesso em. 26 de junho de 2017. 
4 - Disponível em <http://www.guiaderoma.com.br/pontosdetalhe.asp?codigo=7> Acesso em. 27 de junho de 2017.
5 - Disponível em <http://www.ancient.eu/image/1346/> Acesso em. 27 de junho de 2017.
6 -  Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Arco_do_Triunfo_(Fran%C3%A7a)>  Acesso em. 27 de junho de 2017.
7 - Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Porte_Saint-Denis> Acesso em. 27 de junho de 2017. 
8 -  Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Arco_do_Triunfo_de_Narva> Acesso em. 27 de junho de 2017
9 - Disponível em <https://www.britannica.com/topic/Pantheon-building-Rome-Italy/images-videos> Acesso em. 27 de junho de 2017.
10 - Disponível em <http://www.setemalas.com.br/a-mesquita-catedral-de-cordoba-a-construcao-islamica-mais-impressionante-do-ocidente/> Acesso em. 27 de junho de 2017.
11 - Disponível em <http://www.setemalas.com.br/a-mesquita-catedral-de-cordoba-a-construcao-islamica-mais-impressionante-do-ocidente/> Acesso em. 27 de junho de 2017.

RioRoma

Sobre o trabalho       O blog RioRoma foi criado como componente final para constituição da nota da disciplina História Antiga II (...